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10 anos de uma grande mudança
“A arte de competir, aprendi nas pistas, é a arte de esquecer, e nessa hora me lembrei disso. Você tem que esquecer seus limites. Tem que esquecer suas dúvidas, sua dor, seu passado. Tem que esquecer aquela voz interna que berra, que implora: “Nem um passo a mais!”. E quando não for mais possível esquecer, você tem que negociar com ela. Pensei em todas as corridas em que a minha mente queria uma coisa e o meu corpo queria outra. Naquelas voltas em que tive de dizer ao meu corpo: “Sim, você está certo em muitas coisas, mas vamos continuar mesmo assim…”
23 anos, 122,7kg, sedentário, hipertenso, alto risco cardíaco e extremamente ansioso.
É provável que você não tenha conhecido essa pessoa, mas esse era eu 10 anos atrás.
Sem querer parecer exagerado, mas a decisão que se colocava na minha frente era um pouco impactante: ou eu fazia uma mudança completa no meu estilo de vida ou a mesa de cirurgia era meu próximo destino.
Essa lembrança fez a corrida de hoje ser mais especial.
Não, ela não teve recordes, não teve grandes marcas, nem nada do tipo.
Mas, além de me levar a uma viagem pelos últimos 10 anos da minha vida, ela foi absolutamente dentro das minhas marcas normais, uma corrida “protocolar”.
E sei que isso pode parecer não ter nada de especial, mas trouxe uma sensação tão boa quanto vencer uma prova ou quebrar um recorde pessoal.
Acabar novamente uma corrida um pouco mais longa, dentro do meu ritmo normal, com fôlego e quase sem dores era algo que não acontecia há pelo menos 3 meses.
Foi como tirar um grande peso das costas, o ciclo de volta da lesão estava finalizado.
E teve, também, a cereja do bolo: minhas reflexões ao longo do percurso me fizeram ver, mais uma vez, como a corrida foi fundamental no meu processo de mudança nos últimos 10 anos.
Hoje a mesma pessoa lá de trás tem 33 anos, 71kg, desempenho cardíaco de atleta, saúde boa e segue ansiosa (ainda não deu para vencer todas hehe...).
Penso que a grande valia que a corrida teve para mim foi sustentar uma decisão fácil de tomar, mas extremamente difícil de executar: mudar um estilo de vida.
Se você perguntar para qualquer pessoa se ela deseja ter uma vida mais saudável, a tendência é que ela responda que sim.
Agora, trazer isso para a prática e fazer o que precisa para chegar naquela vida saudável, não é bem assim.
A corrida foi o hábito que escolhi desenvolver para me apoiar nessa mudança.
A corrida foi o suporte que eu precisava para tomar melhores decisões no dia a dia, afinal uma grande mudança é composta de várias pequenas decisões.
A corrida foi o balizador da minha evolução, foi mostrando o que era possível e me fez alcançar feitos que nunca julguei que conseguiria.
A corrida fez por mim o que acredito que uma boa gestão e análise de dados pode fazer por uma empresa.
Sustentar o crescimento.
Talvez você esteja por tomar ou tenha tomado alguma grande decisão, seja na sua vida pessoal ou na sua empresa.
E quem sabe encontrar esse suporte para aumentar sua chance de resultado não seja o próximo passo.
Independente do caso, obviamente esse suporte não precisa vir da corrida (não quero te convencer a correr aqui).
Mesmo em âmbito pessoal, talvez não precise nem necessariamente ser um esporte: leitura, meditação, rotinas de agradecimento, todos esses são hábitos que ajudam a sustentar grandes mudanças.
E eles fazem isso porque te exigem desenvolver uma grande característica: disciplina.
A disciplina vai permitir a você fazer o que deve ser feito apesar da sua falta de motivação ou vontade, fundamental para qualquer processo de mudança ou crescimento.
Com a disciplina, você ganhará um efeito colateral igualmente importante: visão de longo prazo.
Todas essas ações demoram em dar resultados visíveis, mas todas são extremamente importantes dentro do seu desenvolvimento.
Aprender a trocar a busca de recompensa no curto prazo por fazer o esforço no curto prazo e colher o resultado lá na frente vai te tornar uma pessoa mais sábia.
Agora, pensando no crescimento de uma empresa (que é um conjunto de pessoas), eu recomendo fortemente que você desenvolva com seu time pelo menos um hábito: fazer dos dados o seu maior aliado.
Eles serão um suporte extremamente valioso em qualquer processo de crescimento ou mudança na sua empresa.
Há quase um ano, escrevi algumas coisas que a corrida me trouxe em âmbito pessoal.
Hoje, parto delas para construir algumas relações com essa parte de dados dentro das empresas.
A corrida me reforçou o conceito de sempre ir um pouco além do que no dia anterior.
Bom, o título da Newsletter não é à toa.
Se provocar a fazer um pouco a mais do que se espera é um ato de melhoria e aprendizado contínuo.
Agora, se você não consegue medir que aquilo está te trazendo algum retorno positivo, talvez não seja um esforço válido.
A frase parte da premissa de que você descobriu em quais atividades vale a pena ir um pouco além.
Se você não sabe quais são as atividades da sua empresa que realmente geram resultado, fazer todos irem além em coisas aleatórias pode se provar apenas um grande desperdício de tempo e energia.
Os dados vão te mostrar isso, assim como me mostraram que a corrida estava melhorando muito minha saúde.
A corrida me ajudou a internalizar o conceito de saber dosar. Tem treinos para forçar e dar o máximo, tem treinos para se preservar e saber que só o fato de estar podendo treinar já é uma vitória. Esse mesmo conceito vale para tudo.
A relação aqui é bem direta.
Os dados vão ser seu principal apoio para sustentar estratégias mais agressivas ou antecipar a cautela frente a períodos mais turbulentos.
Se você não sabe seus limites na corrida, você se lesiona.
Se você não sabe seus limites na hora de construir uma empresa, você quebra.
A corrida me mostrou o poder do incentivo de um amigo quando estamos com dificuldades. Só quem já foi buscado por ou buscou alguém para correr junto o km final de uma prova sabe o impacto disso.
Lembro da última vez que fui “puxado” no final de uma prova.
Quando vi o time me esperando, falei pra eles: “Acho que ainda tenho energia, vamos apertar o ritmo.”
Isso veio com muitos treinos e provas de corridas. Eu realmente tinha mais gás, mas não estava saindo sozinho.
Além de os dados poderem ser esse seu amigo na reta final de um ano ou de uma campanha e ajudar você a encontrar o gás que falta, eles também podem ser insumos para os seus amigos poderem te ajudar.
Se você acha que sua empresa pode render muito mais e está com dificuldade para encontrar os dados que lhe ajudem nisso, saiba que você tem um amigo aqui para te ajudar.
Me manda uma mensagem e vamos conversar.
A corrida me permitiu fazer a escolha mais importante da minha vida: a minha esposa.
A Manu e eu nos conhecemos na corrida. Essa semana, 8 anos depois, estamos oficialmente casados. Nunca teria a oportunidade dessa decisão, não fosse a corrida.
Quantas escolhas e decisões você não está deixando de tomar por não ter o suporte correto?
Ou por não ter desenvolvido um hábito que lhe coloca no caminho de melhores decisões?
No nosso caso (casamento é uma escolha mútua hehe), ela só foi possível devido a várias outras escolhas e decisões que tomamos ao longo do caminho, decisões que estavam orientadas a nos fazer melhorar como pessoas.
Dizem que na vida, tudo são escolhas...
Um bom hábito pode fazer muito por você ou pela sua empresa, mas ele só será desenvolvido se você escolher, de fato, desenvolvê-lo.
Seu momento de reflexão
- Você precisa tomar ou tomou alguma decisão que está sentindo falta de amparo para colocá-la em prática?
- Você tem hábitos que lhe ajudam a se desenvolver como pessoa?
Se quiser trocar ideia sobre isso, responda essa mensagem.
Espero que tenha curtido o (especial) percurso de hoje.
Grande Abraço,
Mazzillo
Dados no Cotidiano: as distrações no trabalho.
Uma pesquisa da McKinsey mostrou alguns dados preocupantes sobre nossa dinâmica de trabalho:
“Brasileiros passam cerca de 5,4 horas diárias em aplicativos, enquanto a média de desbloqueio de celulares chega a 80 vezes por dia.”
Se considerarmos uma jornada padrão de trabalho de 8 horas e uma média de sono de 7 horas, ou os brasileiros usam muito o celular no trabalho (o que sabemos que leva a uma improdutividade absurda) ou passam 100% do tempo fora do trabalho no celular (o que talvez seja ainda pior para o seu bem-estar).
80 desbloqueios de celular por dia (considerando as mesmas 7 horas de sono), equivalem a um desbloqueio a cada 11,2 minutos. Como uma pessoa pode ser produtiva assim?
Vá uma milha a mais:
Quer desenvolver bons hábitos? O livro “Hábitos Atômicos” pode te ajudar demais nisso, fica a milha extra para você.