- The Extra Mile
- Posts
- 2100 Milhas e uma a mais: o poder da consistência
2100 Milhas e uma a mais: o poder da consistência
É surpreendente como somos capazes de conquistar coisas com o referencial e acompanhamento certo.

“Caramba, vou tomar um banho de chuva”.
Escrevi esse texto dia 31 de dezembro, logo após minha última corrida do ano. Foram 6,5km (pouco mais de 4 milhas)
Eram as milhas que faltavam para completar as 2.100 que corri nos últimos 2 anos (uma média de pouco mais de 150km).
Me perdoe a confusão entre sistemas de medidas, tenho que me manter no contexto no nome que escolhi para a Newsletter
Nesse momento, estou aqui para te entregar uma milha a mais*, um pouco das reflexões que me propus a fazer enquanto corria para escrever essa Newsletter (aliás, decidi que esse vai ser meu processo, escrever após a corrida mais longa da semana). Não sei você, mas eu tenho ideias muito boas correndo...
*“The Extra Mile”: expressão usada para indicar quando nos esforçamos para entregar um pouco a mais do que o necessário ou o que nos foi pedido.
Pensei em algumas coisas ao longo da corrida, mas o tema que não saiu da minha cabeça e que batiza essa primeira News foi consistência, uma habilidade fundamental na vida e imprescindível no mundo de negócios. Sem dúvida, uma boa reflexão para a corrida de fim de ano.
Aqui entre nós, eu não estava com vontade de correr. Acordei cheio de dores e cansado, mas teve uma coisa que me fez colocar o tênis e ir para a pista: eu não tinha batido minha meta de 300 km no trimestre. E eu bati essa meta nos últimos 9 trimestres, desde que voltei a correr em 2022...não podia deixar o ciclo acabar.
Só para alinharmos, essa não será uma Newsletter sobre corrida, os textos muitas vezes serão ambientados nas minhas reflexões de corrida, mas, aos olhos mais atentos, eles trarão ideias de negócios e minha visão sobre desafios que passamos em nossas empresas e vidas.
Quem me conhece sabe que sou aficionado por análise de dados (vamos chegar neles logo mais), então naturalmente falarei sobre isso também.
Aliás, começando a conectar os temas: é muito improvável você conseguir ser consistente sem acompanhamento de resultados e indicadores.
Não fosse o acompanhamento constante que faço dos meus treinos e km percorridos, não teria me dado conta em novembro que eu não ia bater a meta de km até o final do ano. Intensifiquei os treinos imediatamente (talvez isso explique as dores acima da média) e bati a meta no último dia do ano, vergonhoso se pensar que quase sempre bati 20 dias antes de acabar cada trimestre.
Agora, pense comigo: você tem algum tipo de acompanhamento de dados e métricas na sua empresa que te permite projetar quando algo desejado não vai acontecer? Se não, sinto informar: você não terá poder de reação quando precisar e vai encerrar o ciclo falando no tempo verbal errado: “não batemos” ao invés de “não vamos bater”.
Fica aí a primeira reflexão: análise de dados no passado sem acompanhamento no presente não serve para muita coisa além de concluir o que todos já sabem...
Voltando a tal da consistência, uma outra coisa fundamental para ela lhe render frutos é o referencial (não adianta ser consistente em fazer algo errado, ruim ou insuficiente, não é?).
Meu referencial de corrida atual são as medalhas que meu relógio dá. Parece banal, mas funciona maravilhosamente bem para mim.
Ele tem dois tipos de medalhas: a de km percorridos no mês, cuja meta é 80km e a de km percorridos no trimestre, cuja meta são 300km.
Eu uso a primeira como “linha de consistência” - nos últimos 30 meses, nunca deixei de correr pelo menos 80km (com lesão, de férias, doente, eu corri pelo menos 80km). A linha de consistência para mim funciona como uma métrica de produção.
Se eu quiser manter o hábito da corrida e ter uma mínima chance de estar preparado para alguma prova que apareça, eu preciso entregar pelo menos 80km todos os meses ou corro o risco de não estar pronto frente a alguma oportunidade que surja. Outro caso da corrida, mas que se aplica em outras frentes...
Pense comigo, você tem sido consistente na sua produção (ou plantação) pessoal e profissional? Inclusive, você tem metas para se manter consistente nessa produção nos altos e baixos dos resultados?
Falando profissionalmente, tem produzido novos ativos (conteúdos, anúncios, processos, treinamentos, conhecimento)?
Em âmbito pessoal, tem estudado, se desenvolvido, lido livros, aumentado a bagagem?
Trazendo isso para o mundo dos dados, esses são tipos de ações que devem ser acompanhadas pelo que eu gosto de chamar de métricas de esforço. Elas são muito úteis para qualificar uma métrica de resultado (tão importante quanto bater uma meta, é saber o porquê):
- Se você atingiu o resultado batendo a meta de esforço, parabéns! Você conseguiu estabelecer uma relação plantar x colher. Siga forte e escale.
- Se você não atingiu o resultado e bateu a meta de esforço, talvez você esteja focando sua produção nas coisas erradas. Repense seus processos.
- Se você não atingiu o resultado e não atingiu o esforço, bom...era esperado que você não atingisse, não é? Trabalhe mais (e melhor).
- E o mais perigoso de todos, se você atingiu o resultado sem bater o esforço, cuidado. O que vem fácil, vai fácil. E pense também, se você tivesse plantado mais, o quanto não teria colhido?
PS: Nunca confunda essas métricas quando for transformá-las em metas. Metas de esforço sem uma meta de resultado junto pode quebrar uma empresa mesmo batendo todas as metas do ano...
Podemos resumir os 4 cenários como na imagem abaixo. Esteja sempre na zona de ação:

Matriz Resultado x Domínio do Processo
Por volta do quinto quilômetro, veio a última, e mais dolorosa, reflexão da corrida: “caramba, no primeiro semestre eu tava acostumado a correr pelo menos 21km todos os finais de semana e tô aqui sofrendo para chegar no quilômetro 6. Eu preciso recuperar minha performance, preciso voltar a fazer o arroz com feijão bem-feito.”
A vida de um corredor saudável precisa 4 coisas:
Boa alimentação,
Bom sono,
Treinos de corrida equilibrados
Musculação (reforço muscular).
Fazendo essas 4 coisas, eu bati recorde pessoal atrás de recorde pessoal durante o final de 2023.
Relaxei... talvez tenha achado que eu era melhor do que de fato era, que eu não precisava das 4 coisas. Entre maio e outubro desse ano, falhei miseravelmente na musculação e, por uma série de fatores, não consegui manter períodos mínimos de sono.
A conta veio: lesões, desgaste e uma perda gigantesca de performance (estou correndo mais de UM MINUTO mais lento a cada quilômetro). Se você não corre, acredite, isso é muito.
E aí veio a reflexão mais importante: me dei conta de que os recordes do final de 2023 não foram batidos nas provas que corri e sim em todos os longos meses de preparação antes da prova. Isso é fantástico, é correção de processo. É voltar a fazer o básico bem-feito e dar tempo ao tempo, logo a performance volta.
Se você já pegou o fio, deve ter notado certa similaridade com o que acontece em muitas empresas (e talvez tenha acontecido ou esteja acontecendo com a sua).
Quantas empresas você conhece que quando começaram a dar certo e ter resultados relevantes atrás de resultados relevantes simplesmente pararam de fazer o que as levou até aqueles resultados (e algum tempo depois estavam lutando para conseguir crescer minimamente)?
Quando você colhe muito e esquece de plantar, uma hora não tem mais safra. É a hora de voltar ao arroz com feijão. Se você está nessa situação, pense: o que você fez consistentemente antes de ter o resultado? Provavelmente é isso que você nunca deveria ter parado de fazer...
Corrida entregue, não choveu :)
Espero que tenha curtido o percurso dessa primeira News.
Grande Abraço,
Mazzillo
Dados no nosso cotidiano (edição especial de atividade física):
“A média global de passos diários é de cerca de 5.000 passos/dia segundo uma pesquisa liderada pela Universidade Stanford, publicada na revista científica Nature.”
O problema disso é que, em uma grande média, deveríamos fazer atividades físicas que equivalessem a 7 a 10 mil passos diários, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Isso significa que na média, o mundo faz menos exercícios do que deveria. Será que existe correlação com o aumento de doenças que temos observado?
Até alguém fazer um estudo sem vieses sobre, a sugestão é você se manter acima dessa média.
Quer ir uma milha a mais?
Um livro para começar 2025: A Marca da Vitória – Phil Knight: um livro que todo apaixonado por corrida ou por crescimento precisa ler. Pode me cobrar. Ao terminar o livro, quero que você para e reflita uma coisa: “sim, ele fez tudo isso há mais de 60 anos