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Apaixone-se pelo processo.
O momento tão aguardado chegou: voltei para as pistas.
A The Extra Mile finalmente volta a ser escrita após uma corrida. Foram quatro semanas, pareceu uma eternidade.
Do início ao, não tão longo, fim da corrida, só passava uma coisa pela minha cabeça: como é importante acreditar e respeitar o processo.
10% disso era por causa da volta à corrida, 90%, pelas palestras que vi e conversas que tive no Mastermind durante a semana.
Cases com resultados absurdos e uma grande coisa em comum: um longo processo até chegar no resultado.
Pelo menos isso foi o que tirei. Sempre que olho um resultado muito acima da média, tento entender o processo, é dali que vou tirar o aprendizado.
Faço isso porque existe um fato em comum em todas essas trajetórias de sucesso: elas fracassaram muitas vezes, tiveram perrengues, discussões, noites sem dormir. E aí que está o aprendizado.
"O asfalto devolve o esforço que você entrega."
Essa frase já apareceu por aqui, e, toda vez que corro, ela volta à minha cabeça. Mas e quando o asfalto não devolve o resultado que você esperava? E se, mesmo colocando todo o esforço, a linha de chegada parece mais distante do que nunca?
Não vou negar, senti um pouco disso na corrida. Voltar de lesão é uma sensação paradoxal: o alívio e a felicidade de estar voltando, misturado com o incômodo pela perda de performance e ritmo e a tensão de saber que o processo de retomada é duro.
Me senti de volta ao início. Corre 1km, caminha um pouco, corre mais 1km, coração na boca, ritmo cardíaco que nem em prova de velocidade eu chegava. Longo caminho pela frente, que bom que aprendi a curtir demais esse processo.
Lembrei de todas as outras vezes em que a velocidade não subia, mas minha resistência aumentava. Lembrei dos treinos em que o foco não era ser rápido, mas correr consciente, ajustando cada passada, cada respiração.
E aí, mais uma vez, lembrei da lição: o processo trabalha em silêncio, mesmo quando o resultado não aparece.
Sou Engenheiro de Produção. A gente passa 5 anos na faculdade aprendendo sobre processos. É natural termos uma admiração acima da média por ele.
Ouvimos muitas analogias sobre a importância do processo e da preparação, mas, para mim, não existe nenhuma melhor do que a do crescimento das árvores de bambu do Japão.
Para quem não conhece, nos primeiros anos de cultivo, você rega, cuida, e... nada acontece. Nem um centímetro de crescimento visível. Mas, de repente, em apenas seis semanas, ele pode crescer mais de 25 metros. O que estava acontecendo antes disso? Ele estava criando raízes profundas, se fortalecendo onde ninguém podia ver.
Se quem a estava cultivando não respeitasse o processo, mesmo quando o resultado não era aparente, ele, de fato, nunca seria.
No mundo dos negócios (e na vida), é a mesma coisa. Você investe em melhorar processos, treina o time, revisa estratégias... e por um tempo, pode parecer que nada mudou. Mas o crescimento verdadeiro vem para quem respeita o tempo de criar raízes.
Em uma das edições da News (você pode ver aqui), falei sobre o VO₂máx. A capacidade máxima do corpo de usar oxigênio não melhora de um treino para o outro. É um reflexo de consistência e processo bem executado ao longo do tempo.
Na corrida, você melhora o VO₂máx com consistência de treinos, variação de esforços e com tempo.
Nos negócios, você melhora VO₂máx investindo em montar uma boa estrutura de dados, aumentando o seu conhecimento do mercado, a sua eficiência operacional e com o tempo.
Em ambos os casos, você não percebe um salto imediato. Mas, quando o resultado aparece, ele chega sólido, sustentado por um processo que foi bem cultivado. Ele é replicável.
Voltando ao Mastermind, vejo que muito antes daqueles cases quererem o resultado, eles estavam preparados para suportar o processo necessário. E é aí que divide quem vai alcançar o resultado de quem não vai.
Uma coisa é óbvia. A maioria das pessoas (se não todas) quer o resultado. Quer o pódio, o número estampado na planilha, o gráfico subindo. Mas poucos têm paciência e disciplina para atravessar o processo que realmente leva até lá.
É como querer correr uma maratona sem treinar, esperar ganhar músculo sem pegar peso ou imaginar que um negócio vai decolar sem errar mil vezes no caminho.
É fácil admirar o sucesso dos outros quando olhamos apenas para o resultado, sem enxergar as horas, as falhas, as dúvidas e os dias em que a vontade de desistir foi mais forte que a motivação. Pode parecer papo de coach (nada contra, por sinal), mas é a mais pura verdade.
E quer uma verdade ainda mais dura? O processo não faz questão de ser gentil. Ele não está nem aí para os seus problemas.
Ele vai testar sua paciência, exigir disciplina nos dias em que você não tiver ânimo, e cobrar o esforço mesmo quando o retorno parecer invisível.
O problema é que quem foge do processo nunca chega ao verdadeiro resultado.
É como tentar acelerar o crescimento de uma árvore puxando as folhas para cima — no máximo, você vai arrancá-las.
Quer um exemplo mais prático? Pense em alguém que quer escalar as vendas de uma empresa sem entender a fundo quem é seu cliente. Pode até funcionar por um tempo com boas estratégias de tráfego, conteúdos muito criativos ou ofertas agressivas, mas sem conhecer o terreno (dados, comportamento, padrões), o crescimento não é sustentável. A base cede, e, alguma hora, o castelo desaba.
Dentro do mercado de infoprodutos, temos rankings e categorias para tudo que é lado. Uma delas é o Hotmart Galaxy, os 25 infoprodutores de maior resultado no mundo.
Uma coisa sempre me chamou a atenção nesse ranking, nos anos que acompanhei. Existem empresas que sempre estão lá. Desde o dia que entraram, nunca saíram. E não é nem um pouco fácil chegar e se manter lá.
Talvez 30% do grupo que é Galaxy hoje, estava lá 2-3 anos atrás. Isso significa que a grande maioria do grupo muda todo ano.
E eu diria, com bastante base em dados, que muda muito mais por queda de resultado de quem estava dentro do que por ganho de resultado de quem estava fora.
Resultado sem processo.
Vamos a um breve momento “Mazzillo coach” (e talvez eu esteja escrevendo as próximas linhas muito mais para mim do que para você).
Quer acelerar o processo?
Você só vai conseguir isso com disciplina e paciência.
Disciplina não é sobre motivação; é sobre fazer o que precisa ser feito mesmo quando não dá vontade. E paciência não é ficar esperando o tempo passar — é confiar que o processo, quando bem-feito, sempre entrega.
Quer um resultado grandioso? Pergunte-se:
Estou disposto a ser consistente mesmo quando o retorno parece invisível?
Tenho disciplina para repetir o básico todos os dias, mesmo sem aplausos?
Consigo ter paciência para esperar os frutos de um processo bem construído?
A resposta para o sucesso quase sempre está nesses três pontos. E, ironicamente, eles não aparecem em gráfico algum — mas são eles que sustentam os resultados que você vê lá no topo.
Talvez você esteja pensando que isso é pouco prático, mas certas coisas exigem reflexão e só depois execução.
Pensa aqui comigo (pode pensar no caso pessoal ou no da sua empresa):
Quantas “estratégias” do momento e dicas você testou ou pensou em testar nos últimos 12 meses?
Eu diria que foram várias.
Quanto você investiu (de tempo e dinheiro) em testes para buscar um resultado rápido?
Agora, quantos processos sólidos você construiu? Quanto você investiu em coisas que demoram tempo para dar resultado?
Eu tenho o privilégio de acompanhar a trajetória de crescimento de vários gigantes do meu mercado e posso te afirmar com convicção: Pode ter parecido rápido, mas não foi.
Foram anos de esforço e investimento no processo até chegar no resultado. E todos eles me parecem gostar muito do processo.
O resultado é aquele momento de euforia: fechar um contrato grande, bater uma meta de vendas, quebrar um recorde pessoal na corrida. É incrível, mas... passa rápido.
O processo, por outro lado, é o que você vive todos os dias. Se você não gostar dessa rotina, vai ser difícil sustentar qualquer conquista. Quem vive apenas em função do resultado está sempre correndo atrás de um próximo pico — e pode acabar desistindo quando ele demora a chegar.
As maiores evoluções não surgem quando você alcança o objetivo, mas nos desafios diários, nos erros, nos pequenos avanços que ninguém vê.
Pense em um corredor: a medalha na prova é só a consequência de semanas (ou meses) de treino, de levantar cedo, ajustar a alimentação, enfrentar dias de desânimo e seguir em frente.
Nos negócios, é a mesma coisa. O sucesso não nasce do faturamento recorde de um mês, mas da rotina de análise, dos ajustes diários e do aprendizado constante.
Seu momento de refletir:
- Você está apaixonado pelo processo ou apenas obcecado pelo resultado?
- Como você pode tornar o seu esforço diário em combustível, mesmo sem a recompensa imediata?
- Em que momento da sua jornada você se sentiu mais realizado — no ápice do resultado ou durante o caminho que te levou até lá?
Se apaixonar pelo processo não tem nada a ver com abrir mão da ambição pelos resultados — significa apenas entender que o caminho até lá é, na verdade, a real recompensa.
De volta às pistas! Hora de respeitar um novo processo.
Espero que tenha curtido o percurso.
Grande abraço,
Mazzillo
Dados no cotidiano: edição sobre importância da leitura.
Se você chegou até essa parte da News pelo menos duas vezes, já está à frente de 66,3% dos estudantes brasileiros.
O dado é chocante e preocupante: 66,3% dos alunos brasileiros de 15 e 16 anos nunca leram um texto com mais de dez páginas.
DEZ páginas.
Fonte: Centro de Pesquisas em Educação, Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), em parceria com a plataforma de leitura Árvore.
Ainda segundo a mesma pesquisa, só 9,5% dos estudantes brasileiros de 15 e 16 anos leu algum material com mais de 100 páginas – índice inferior ao de outros países da América Latina, como Chile (64%), Argentina (25,4%) e Colômbia (25,8%). Na Finlândia, que apresenta os melhores índices do estudo, o patamar chega a 72,8%.
Isso que o estudo é mais antigo, tenho até medo de ver como os índices estão hoje.
Vá uma milha a mais:
Esse TED de 2019 do Bernardinho, mostra muito sobre a importância do processo para buscar a excelência. Grande vídeo que você pode assistir aqui.