Como nasce um empreendedor

e o que nasce com ele

Começar uma empresa é como pular de um precipício e montar o avião durante a descida

Reid Hoffmann – cofundador do LinkedIn

Eu tinha 27 anos, passava pela minha segunda empresa, a primeira como partner e liderando a frente de crescimento. 

Aquele dia tive que executar uma das decisões mais difíceis da minha carreira como gestor.

Digo executar porque a decisão não foi exatamente minha. De certa forma ela foi uma necessidade que todos os Diretores da empresa foram incumbidos pelo fundador.

Eu tive que desligar metade do meu time. 

O plano do ano (que era muito arrojado) não estava nem perto de ser atingido, a rodada de investimentos que era tida como certa ficou praticamente inviabilizada e todo o time e recursos que tínhamos antecipado a contratação teria que ser reduzido a mais da metade.

Precisávamos cortar 60% do custo, reduzir os investimentos em mídia e pivotar a estratégia.

E embora tenha sido muito difícil ter que desligar metade do meu time, um desligamento doeu muito mais do que os outros.

A gestora de tráfego do meu time tinha sido mãe fazia 7 meses. Eu sabia o quanto aquele emprego era importante para ela e para o filho. 

Mas íamos zerar o investimento em mídia praticamente, eu não tinha como mantê-la.

Eu lembro até hoje da conversa e do meu pensamento depois que eu não queria ser a pessoa que tem que tomar essas decisões, ou seja, eu não queria carregar decisões que eu não gostaria de tomar. 

Na minha cabeça menos madura da época, se executar já tinha sido difícil, imagina tomar aquela decisão. Empreender não era para mim.

Pelo menos era isso que eu pensava, mas mal sabia que ali foi um dos primeiros pontos de virada para eu fundar a Witly 4 anos depois.

Antes disso, passei por outra empresa (como sócio minoritário) e pela situação dos fundadores quererem levar a empresa por um caminho quando eu queria ir para o outro (não existia certo ou errado).

Ali aprendi o que, para mim, é a essência de empreender: a vontade de fazer diferente.

Sim, empreender também é estar com o seu na reta 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Mas existem formas e formas de fazer isso, no momento que a sua vontade de fazer diferente supera a sua visão do risco de estar com o seu na reta, você dá o passo.

É como se fosse uma “barrinha” que vai enchendo ao longo do tempo com as experiências e vivências que temos.

Algumas pessoas já meio que nasceram com a balança pendendo para o risco e foram empreendedoras desde a sua primeira hora trabalhada.

Algumas pessoas nunca vão encher a barrinha, e tá tudo certo.

Algumas empreendem dentro de empresas que não são suas.

Eu fiquei 10 anos nesse último cenário até a barrinha completar e a Witly nascer.

Não tem certo ou errado.

O que é comum a todos empreendedores que conheço é que eles queriam se desafiar a fazer algo diferente.

Enquanto bancos funcionavam de uma forma, David Velez quis fazer diferente e criou o Nubank.

Enquanto alugar filmes funcionava de uma forma, Reed Hastings quis fazer diferente e pivotou a Netflix.

Eu poderia contar diversas histórias e todas voltariam ao ponto central de desafiar o “o quê”, o como ou o porquê as coisas são feitas da forma que são.

Nem sempre é um modelo de negócios novo e uma empresa bilionária.

Às vezes é uma pessoa cansada das decisões que julga errada do seu chefe e decide arriscar por conta própria a sua visão.

Caso de clientes da Witly que viraram amigos, como quando todo um mercado só falava de lançamento e um empreendedor quis fazer diferente e falar de perpétuo ou quando todo o mercado de investimentos tinha um modelo de recomendação conflitado e uma empreendedora registrou em cartório que a sua empresa de investimentos nunca teria corretoras ou banco como sócias ou patrocinadoras.

Empreender nasce da vontade de fazer diferente.

E por falar em nascer, essa semana nasceu o Instituto B55, uma iniciativa sem fins lucrativos com objetivo de fomentar o empreendedorismo e ajudar os empreendedores do Brasil.

O Instituto é uma ideia puxada por 3 grandes empreendedores do Brasil, fundadores de XP, Nubank e Stone (conto mais sobre isso na Milha Extra de hoje).

Concorrentes em várias frentes, mas unidos para ajudar as pessoas que de fato movem o país. 

Coincidências ou não, quem vai tocar o Instituto são alguns dos mesmos empreendedores que fundaram a primeira empresa em que eu trabalhei. 

As pessoas que comentei que mais me ensinaram sobre construir uma empresa, mesmo que na época eu achava que aquilo não era para mim.

E essa soma de fatores me deixa extremamente feliz em ter a Witly aconselhando a parte de growth e dados do Instituto.

Poder ajudar ainda mais o empreendedorismo no Brasil ao lado de pessoas ímpares e que tem muita contribuição no empreendedor que me tornei é um combustível e tanto.

Vida longa aos empreendedores. Vocês acabam de ganhar um aliado fortíssimo na jornada de fazer diferente.

Vida longa ao Instituto, o Brasil precisa de iniciativas assim.

PS: caso você tenha ficado p* da vida comigo por eu ter feito aquela demissão, saiba que depois encontramos uma vaga bem legal para ela e 2 anos depois a contratei novamente para trabalharmos juntos em outra empresa. 

Muitas vezes você não tem a escolha da decisão, mas sempre tem escolha do que faz após a decisão ser tomada.

Espero que tenha curtido o percurso de hoje.

Grande abraço e até a próxima milha,

César Mazzillo

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Dados no Cotidiano

O empreendedorismo no Brasil.

Dados que o Instituto B55 levantou sobre como o nosso país é empreendedor (e como esses empreendedores precisam de ajuda).

Temos 33% da população adulta envolvida com atividades empreendedoras e cerca de 47 milhões de brasileiros já empreendendo em algum estágio, o que coloca o país como o número 2 do mundo em população absoluta de empreendedores potenciais.

São mais de 25 milhões de CNPJs ativos no Brasil e o segundo maior sonho do brasileiro é ter o seu próprio negócio.

O problema é que 73% destas empresas enfrentam hoje uma estagnação ou queda.

Mas isso vai mudar.

Vá uma milha a mais

Aprender com quem já fez tem um valor imensurável. Imagine ter a oportunidade de ouvir de alguns dos maiores empresários do Brasil como eles tomaram suas decisões, os erros que cometeram e as estruturas que definiram suas trajetórias, sem filtro.

É isso que o documentário “O Código Brasil” do Instituto B55 quer oportunizar. Você pode se inscrever gratuitamente aqui.

Seu momento de refletir

- Se você já empreende, qual foi a sua vontade de fazer diferente?

- Se você ainda não empreende, o que você gostaria de mudar na sua empresa ou no mercado?