E se?

A importância da visão de longo prazo

"A maioria das pessoas superestima o que pode fazer em um ano e subestima o que pode fazer em dez"

Bill Gates (ou Tim Ferriss dependendo da sua fonte)

Eu até diria que com o mundo mais acelerado que vivemos hoje, as pessoas superestimam o que podem fazer em uma semana e subestimam o que podem fazer em um ano.

Hoje, minha preparação para a escrita (vulgo meu exercício matinal) foi uma briga interna.

Há três dias seguidos, Brasília está com um tempo ótimo, algo bastante raro dada a temporada de chuvas. E eu queria muito correr (parece que você tem mais vontade de fazer certas coisas quando não pode).

Acordei, passei meu café e olhei para a rua. Dezenas de pessoas correndo e aproveitando o clima (seria o viés da disponibilidade?). Eu só pensava: queria estar lá. Ainda falta pelo menos uma semana para poder voltar às pistas.

Desde o início da pandemia, não passo tanto tempo sem correr. Para quem transformou isso em hábito, é complexo.

Começou então uma batalha interna na minha cabeça, uma batalha entre o pensamento de curto prazo e a visão de longo prazo, tema do nosso percurso de hoje.

O pensamento de curto prazo me mandava ir para a rua correr, a outra alternativa era pedalar na bicicleta da academia, um ambiente fechado e muito menos convidativo (tirando o fato que prefiro muito mais correr a pedalar). 

Como comentei acima, ainda tenho pelo menos uma semana de recuperação e ainda sinto dores, mas a vontade estava quase vencendo.

Até que a visão de longo prazo entrou no debate. E nessa visão, a equação era só esperar mais uma semana parado para talvez um ano sem lesão e voltar a correr em alta performance.

Voltando ao tema do nosso último percurso (se você não viu, só clicar aqui), ainda bem que o córtex entrou no jogo e me fez racionalizar a decisão. Antigamente, era altíssima a chance de eu ter ido correr no impulso e piorar a lesão. Fui pedalar (e refletir).

A real é que temos sido, como sociedade, cada vez mais imediatistas. 

Nossa paciência está cada vez menor, queremos soluções cada vez mais rápidas, queremos colocar IA’s para acelerar tudo e isso faz com que tenhamos muito menos capacidade de tolerar as coisas que demoram tempo.

E, normalmente, as coisas que realmente valem a pena, demoram tempo.

A cada dia que passa, esquecemos mais de colocar na equação que nossas ações no curto prazo impactam diretamente o resultado no longo prazo.

É aqui que a visão de longo prazo precisa entrar em jogo. É aqui que precisamos entender como a nossa decisão de hoje impacta lá na frente. É aqui que precisamos entender que abrir mão de algumas coisas agora para ter muito mais resultado depois.

Além de ser uma habilidade base para quem quer analisar dados, essa talvez seja uma das habilidades mais importantes para qualquer tomador de decisão em uma empresa.

E mais do que isso, é fundamental também para qualquer pessoa que se preocupa minimamente com seu futuro ou com o futuro da sua família.

Enquanto pedalava escutando um podcast (será a recomendação da milha extra de hoje), me deparei com uma citação:

”A cena de treino do Rocky dura 30 segundos no filme, mas na vida real dura 5 anos.”

Pensei: “Caramba, esse soco do Rocky foi pesado!” 

Como que tem uma galera que pensa que vai começar a fazer alguma coisa e ter resultado em 5 dias? E, pior, como que por vezes eu mesmo e várias pessoas que conheço caem na por** dessa visão?

É muito rápido apertar um botão, mas normalmente leva muito tempo para saber quando e qual apertar.

E a reflexão, bastante provocativa, que o podcast trouxe foi: 

“A verdade é que muita gente não tem todo o sucesso que poderia porque estão presas ao que está acontecendo no curto prazo. O sucesso real precisa ser medido em anos, talvez décadas.”

Lembrei de uma frase de Ryan Holiday: “O tempo é a vantagem definitiva. Poucos têm paciência para esperar os grandes frutos.”

Quero aproveitar o espaço para compartilhar um fato pessoal, que acredito tem bons ensinamentos sobre visão de longo prazo

Aquele ponto marcado com a flecha é a Torre de TV Digital de Brasília. Tirei essa foto agora mesmo enquanto escrevia da janela do meu escritório em casa.

Essa semana estava olhando para a torre de noite e a Manu (minha noiva) veio e me mostrou essa outra foto

“Olha que legal! Faz só dois anos que tu estava palestrando lá, e agora a gente tá morando aqui em Brasília, e vê ela todo dia”.

Essa foi a palestra que mais me marcou recentemente. Ela foi menos de dois meses após a criação da Witly e a primeira após começar a empreender “solo” depois de 12 anos em outras empresas como funcionário ou sócio (minoritário).

E eu estava nervoso pra caramba! Muito mais do que normalmente fico. 

Inclusive muito mais do que o time que estava organizando o evento, que estava tendo que lidar com um dia de 35ºC, sol rachando em um auditório de vidro e com os ares-condicionados estragados.

Duas coisas pesavam na minha cabeça:

A primeira era o fato de ser uma palestra que poderia ajudar muito na arrancada da empresa, por mostrar às pessoas como eu trabalhava análise de dados e como queria levar aquilo ao mercado com a Witly.

E a segunda, que pesava até mais do que a primeira, é que eu tinha sido convidado pelo Ruy e pelo Leandro para palestrar para o Mastermind deles (o Masterfluxo), que normalmente só tem palestra fera.

Pô, uma coisa é mandar mal e se prejudicar, outra coisa é mandar mal e prejudicar o evento e o resultado dos outros.

Felizmente, a palestra foi muito boa (ou pelo menos foi o que me disseram).

Dali em diante, a Witly começou a fechar projetos e parcerias. Começamos a trazer um modelo bem diferente do padrão de mercado para a análise de tráfego, para a compra de leads e mostrar a importância do uso de análise de dados aprofundada na tomada de decisão.

E aquela frase da Manu me voltou a cabeça: “faz só dois anos”. 

E a verdade é que não é bem assim. Faz pelo menos quinze.

Há quinze anos, eu comecei a trabalhar com análise de dados, há quinze anos eu venho estudando mercado, estudando estratégia, aprendendo no dia-a-dia com diversas empresas e pessoas.

Passei por muitos lugares, conheci e aprendi com muita gente boa. Toda pequena decisão que fui tomando, foi me colocando no caminho de ter a Witly hoje e trabalhar com tanta gente boa.

E, naquele momento, a frase “O sucesso real precisa ser medido em anos, talvez décadas.” fez muito mais sentido.

E, que fique claro, isso não é um texto de autopromoção, eu detesto esse tipo de coisa.

É apenas um exemplo para mostrar que quando você não desiste do caminho e busca fazer o que é certo, repetidamente, eventualmente os resultados começam a chegar.

Hoje, sou agradecido pelo time que montei, pelos clientes (e amigos) que fomos conquistando pelo caminho e pelo que estamos conseguindo entregar como empresa. Claro: temos e sempre teremos muito a melhorar.

Mas eu fico ainda mais feliz de saber que, das pessoas que formaram o primeiro time da Witly, todas já tinham trabalhado ou tido contato direto comigo em algum momento daqueles 15 anos. Brinco com o pessoal: “Olha, cada um com a sua loucura trabalhar duas ou três vezes comigo”.

Mas a verdade é que alguma coisa eu plantei nesse caminho que me fez colher, hoje, um time fora da curva.

Visão de longo prazo. Embora, pessoalmente, falhei miseravelmente por anos nesse conceito, acho que profissionalmente sempre pensei e guiei minhas decisões pensando muito nisso. 

Não é e nem nunca vai ser uma corrida de 100m. Para mim, sempre será uma maratona.

Acredito que a Witly ainda tem muitas décadas pela frente, ainda temos muito a crescer, muito a melhorar, muito resultado para entregar. Nossas decisões têm que refletir isso e não uma busca obsessiva pelo ganho de curto prazo. 

Longe de achar que esse é o único caminho, ou o caminho que todos devem seguir, mas tenho a clareza que esse é o único caminho para mim.

E no meio dessa reflexão enquanto pedalava, comecei a pensar:

  • “E se eu tivesse continuado no meu primeiro emprego?”

  • “E se eu tivesse buscado um salário maior ao invés de me aventurar em uma start-up?”

  • “E se eu tivesse ficado num caminho certo de resultados, mas que já não fazia mais meu olho brilhar?” 

  • “E se eu tivesse ido correr ao invés de vir pedalar?”

Eu não estaria escrevendo esse texto dessa forma hoje.

Todos temos os nossos momentos de se perguntar “E se?”.

Aprendi, com o tempo, que a melhor forma de respondê-los é se imaginar décadas na frente e avaliar o que te deixaria mais orgulhoso.

E visão de longo prazo é algo bastante treinável.

Uma recomendação muito boa no podcast foi: “documente seus fracassos”. É com eles que vamos aprender, é eles que nos farão crescer e entender o impacto das nossas decisões (e no futuro nos fazer valorizar as apostas de longo prazo que fizemos).

Vale para o pessoal e para o profissional.

A segunda recomendação, e essa é minha, é: calibre seu horizonte de análise de dados e fatos.

Vivemos muito isso todo o dia na Witly ao analisar as ações de marketing dos clientes. 

  • Ações de venda pausadas com poucas semanas por não estarem dando resultado, mas que depois viraram fontes fantásticas de aquisições de clientes (no longo prazo) 

  • Produtos desligados porque o resultado aparente de curto prazo não era bom e que depois fizeram as vendas dos produtos principais da empresa despencarem (porque, no longo prazo, esse era o produto que populava o melhor tipo de cliente e que recomprava tudo que existia na esteira) 

  • Parar de atrair novos públicos via tráfego, afinal eles não dão retorno e o que dá retorno é o orgânico (mas quando se analisa no longo prazo, se percebe que o orgânico só existe por causa do tráfego pago)

Ou seja, quando for tomar uma decisão, entenda que o que gera resultado hoje, pode ter sido fruto de ações passadas e o que não gera resultado hoje pode ser o propulsor do resultado futuro.

Lembre-se, se você quer grandes resultados, pense em anos, não em dias.

Seu momento de reflexão:

- Quais têm sido ou quais foram os seus momentos “E se?”

- Você tem tomado suas decisões pensando lá na frente ou apenas no dia de amanhã?

- O que você tem feito, hoje, pensando no longo prazo?

Compartilha comigo, vou curtir muito trocar uma ideia sobre.

Espero que tenha curtido o percurso de hoje, e espero que ele logo volte para às pistas. 

Grande Abraço,

Mazzillo

Dados no Cotidiano: visão de longo prazo e investimentos

Uma das análises mais incríveis que vi quando trabalhei no mercado de investimentos foi sobre a importância dos juros compostos e como, depois de certo tempo, a maior parte dos seus rendimentos acabam sendo frutos dos famosos juros sobre juros e não mais do valor inicial que você investiu. 

Vou supor um caso simplificado aqui para você entender: um investimento de R$100.000,00 com o rendimento atual da Selic (13,25% ao ano)., Não vou considerar o efeito da inflação, pois não altera a mensagem que quero passar.

Simulação de Investimento - Selic a 13,25% a.a.

Supondo um investimento de R$100.000,00 com a taxa Selic atual de 13,25% ao ano, o rendimento seria:

Ano

Valor Inicial (R$)

Juros Acumulados (R$)

Valor Total (R$)

1

100.000

13.250

113.250

2

100.000

28.056

128.056

3

100.000

44.461

144.461

4

100.000

62.504

162.504

5

100.000

82.229

182.229

6

100.000

103.685

203.685

7

100.000

126.927

226.927

8

100.000

152.016

252.016

9

100.000

179.018

279.018

10

100.000

208.007

308.007

Perceba que a partir do sexto ano, você gerou mais juros do que seu aporte inicial, ou seja, os juros sobre juros seriam mais relevantes dentro de uma futura aposentadoria ou uso do dinheiro que o próprio valor relevante que você investiu na largada. Uma visão bem clara da importância de investir pensando no longo prazo.

Vá uma milha a mais:

Gosto muito das reflexões que o Alex Hormozi traz nos seus podcasts. O que escutei na pedalada de hoje complementa muito bem o tema. “What fuels you?” é o assunto e você pode ouvi-lo aqui.