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9% melhor em 7 dias! (ou será que foi o carbono?)

"O asfalto é um espelho: ele devolve o esforço que você entrega."

Essa frase é de autor desconhecido, gostaria de tê-la escrito eu. 

Para mim, ela tem tanto significado e profundidade quanto “Enquanto você estiver vivo, haverá louça” (se ao ler essas frases, você acha que elas se referem à corrida, pratos e copos sujos, te convido a desacelerar um pouco e pensar sobre o real significado delas).

Hoje, acho que trapaceei. Comecei a montar a news antes de iniciar a corrida, mais precisamente quando escolhi meu tênis. Sim, muitos corredores que são aficionados por tênis tem muitos modelos. Um grande  amigo, por exemplo, poderia correr todos os dias do mês com um tênis diferente e ainda ficariam muitos tênis intocados no armário

Antes de te contar minha trapaça, quero que você veja o quanto minha corrida evoluiu frente a news anterior (tem ótimos ensinamentos aqui)

Métrica

Corrida da primeira news

Corrida da segunda news

Quilômetros percorridos

6,5km

🟢 7,5km - corri mais

Velocidade Média

(minha performance)

11,3km/h

🟢 12,3km/h - corri mais rápido

Frequência Cardíaca Média (meu esforço)

150 bpm

🟡 151 bpm - fiz o mesmo esforço

Meu sentimento

☠️ 

😎 

É incrível o que um novo ano faz com o corredor: corri mais longe, mais rápido e fazendo o mesmo esforço. Tudo isso apenas 7 dias depois de uma corrida que saí destruído. Antes tudo isso fosse comparável... mas não é.

Entenda, eu tenho que ter muito cuidado ao contexto quando for comparar métricas, e, como eu te disse, eu trapaceei e não foi apenas na escrita da News. Eu não corri nas mesmas condições (e assim como eu, você deve cuidar quando se compara - consigo mesmo e, principalmente com os outros. O contexto é fundamental).

A minha trapaça foi em usar um “fator externo” para melhorar o meu desempenho de corrida, mais precisamente um tênis com sola de placa de carbono* (na minha humilde opinião, uma das maiores inovações da corrida nos últimos muitos anos).

* Para meus leitores não corredores, a placa de carbono é uma tecnologia usada na sola dos tênis para aumentar a resposta da pisada, ela te propulsiona para frente e, com isso, te faz correr mais rápido e com menos esforço. No meu caso, ela melhora meu desempenho entre surpreendentes 10 e 15%.

O percurso da “extra mile” de hoje é justamente esse: como trabalhar fatores externos, internos e contexto na análise.

Antes de mais nada, deixa eu definir o que, na minha visão é cada coisa (você pode pensar diferente e está tudo certo)

  • Fatores Internos: Tudo que diz respeito aos meus esforços, que eu tenho total controle sobre a execução. Eu atuo diretamente sobre eles.

  • Fatores Externos: Tudo que eu não tenho controle mas que podem ter impacto direto ou indireto sobre mim ou sobre a minha empresa. O máximo que posso fazer é responder / reagir a eles.

Vamos ao contexto da minha corrida: acordei novamente com dores, precisava correr pelo menos 7,5km e tinha uma reunião cedo, ou seja, eu não poderia demorar muito (nem estar muito acabado no final da corrida).

Com o tênis de placa e a sua tecnologia, eu conseguiria correr muito mais rápido e não sentiria tantas dores, nem teria tanto desgaste - a escolha perfeita. Aqui tem mais uma pequena trapaça do texto de hoje, uma “licença poética”. No momento que eu comprei o tênis, ele virou um fator interno, pois eu exerço controle sobre ele, mas não exercia controle nenhum sobre a criação dele. Eu “internalizei um fator externo”.

Quis trazer esse exemplo, porque isso é uma habilidade que pode fazer a diferença no seu resultado pessoal ou no da sua empresa. Pense na Inteligência Artificial (IA). Ela é um fator externo, você não controla a existência ou o desenvolvimento, mas você pode responder a isso, pode estudar, dominar o conhecimento e, quem sabe até, internalizá-lo.

Não escolhi o exemplo da IA à toa. Acho que ela se assemelha muito ao meu tênis. Ela permite você ir mais longe, mais rápido e com menos esforço, além de ser bastante acessível.

O tênis que eu corri hoje, um Nike Vaporfly 3, é o mesmo tênis que maratonistas de elite usam para vencer provas e quebrar recordes mundiais. Eu paguei 99 dólares por ele (na época com o dólar a 5 hehe). Por 500 reais, eu poderia ter a meu favor a exata mesma tecnologia do que o melhor atleta do esporte que eu pratico, isso é fantástico. (sim, você pode usar a mesma IA que as maiores empresas do mundo por uma assinatura módica).

E o que isso impacta você? Bem, no momento que a tecnologia (ou qualquer outro fator externo) se torna tão acessível, ela passa a ser uma obrigação para quem quer performar em alto nível. Você precisa transformá-la em fator interno. Entendeu o paralelo com a IA?

Além disso, no momento que todo o mercado começa a responder a um fator externo e você não o faz, fica para trás e perde capacidade de resultado.

Quero trazer dois exemplos de fatores externos do mercado digital, que é o que mais acompanho na Witly (minha empresa de Inteligência de Dados): a Black Friday e a Inflação do Tráfego Pago.

Não controlamos a Black Friday, ela vai acontecer em Novembro a gente querendo ou não. Mas eu posso responder a ela. Eu sei desde que existe calendário quando vai ser a próxima. Eu posso me preparar, coletar dados e saber o que devo fazer . Tenho 3 casos de como usamos dados para ajudar nossos clientes aqui a responder a Black Friday. Cada um do seu jeito, no seu nicho.

  • O primeiro é o mais fácil. Temos um cliente que, por filosofia e posicionamento, não dá desconto (entenda, ele não precisa, o produto já é muito bom e não é essa cultura que a empresa quer dos seus clientes). Responder a uma Black Friday aqui é fácil: não fazemos desconto. Ao invés de fazer campanhas na Black como todo mundo, eles anteciparam em 1-2 meses a campanha do 4o trimestre e fugiram da inflação dos custos e da dispersão da atenção das pessoas.

  • O segundo é um cliente que trabalha com produtos físicos de saúde dentro do mercado digital. Seus maiores concorrentes nesse período: Amazon, Mercado Livre, Shopee e por aí vai. Briga injusta, não é? É, se você não souber se preparar. Começamos o planejamento da campanha em agosto, segmentando clientes com maior potencial de compra, iniciando as chamadas ainda em setembro e abrindo a promoção ainda dentro de outubro, antes de todo mundo. Dados. Sabíamos quem era o público que tínhamos que ter na campanha, sabíamos quando os grandes e-commerces começariam a intensificar suas promoções e compra de mídia. Agimos antes. Resultado: o dobro do lucro de 2023. Zero ciência de foguete, 100%  dados internos bem analisados e dados externos que estão disponíveis a qualquer um para consulta.

  • O terceiro tem uma particularidade ainda mais interessante. Ele é líder e formador de mercado e atua diretamente com marketing digital. E muitas empresas os copiam. Eles iriam fazer uma oferta bastante agressiva na Black Friday, uma que se concorrentes ou outras pessoas do mercado soubessem antes de ir para o ar, poderia lhes dar tempo de resposta e prejudicar o resultado. Eles fizeram três ações relevantes:

    • Sigilo Absoluto: ninguém que não precisava saber sobre a estratégia sabia. Com isso, eles praticamente zeraram a chance de cópia, resposta ou vazamento antes da hora (ou de alguma comunicação que não fosse como eles gostariam).

    • Antecipação e Divulgação Extrema: Eles foram tão intensos e criativos na divulgação que todo o mercado ficou sabendo. Assim, qualquer um que copiasse, levava mídia para eles também Ou seja, eles ganharam mercado em cima de todo mundo que poderia concorrer com eles.

    • Abriram a Campanha Antes de Todo Mundo: a cereja do bolo. Com a mesma estratégia do que o segundo cliente, mas por motivos totalmente diferentes, eles também abriram a oferta em outubro, antes de todos. E carregaram ela aberta até o final de novembro. Nadaram livres no início e depois aproveitaram toda a mídia que foi gerada pelo mercado para aumentar o resultado.

    • Resultado: a maior Black Friday da história do mercado de infoprodutores.

Três nichos de mercado diferentes, três contextos diferentes, três ações diferentes, mas uma grande coisa em comum: todos se prepararam com time, processos, dados e inteligência de mercado (fatores internos) para responder a um fator externo já amplamente conhecido no mercado.

Seu momento de refletir:

Quais são os fatores externos aos quais você não está respondendo?

Quais fatores externos você já sabe que vão acontecer e ainda não montou plano para aproveitar ou combater?

Será que você está trabalhando em fatores internos para ter mais capacidade de execução e resposta?

Para mim, o maior aprendizado que fica nesses três casos é que uma boa leitura dos fatores externos te permite fazer o esforço interno no momento certo e ter muito mais resultado com isso. É a magia de ter fatores internos bem fortes e responsivos.

Como os meus tênis de corrida, eu não preciso usar o que me dá a máxima performance todas as vezes (inclusive o uso contínuo prejudica os músculos - e o bolso), mas sei que quando eu precisar, ele estará lá, basta cuidar bem.

Não sei você, mas eu curti bastante o percurso de hoje. Na expectativa dos próximos.

Grande abraço e muitas milhas a mais percorridas,

Mazzillo

Dados no nosso cotidiano (edição especial sobre tênis e leveza):

Você leva uma vida mais leve hoje (concordando ou não) graças a Bill Bowerman.

Bill foi um dos treinadores de Phil Knight (fundador da Nike) e o autor da célebre frase: “Se você tem um corpo, você é um atleta”.

Ele também era um perfeccionista em termos de desempenho. Nos seus estudos, ele viu que quanto mais leve conseguisse deixar um tênis sem mexer em suas propriedades, mais desempenho o atleta teria.

Com isso, ele pegou suas ferramentas e transformou o tênis mais conhecido da época em um Frankestein. Cortou partes, tirou pedaços da sola e tirou partes não essenciais para a competição. Removeu 100g dos tênis assim.

A passada média de um maratonista de elite é de 2 metros. Considerando que uma maratona tem 42.195 metros, a remoção de 100g de peso de um tênis, retira um total de 2.109kg de esforço de um atleta durante uma prova.

Sim, 2 TONELADAS.

O peso médio de um tênis de performance na década de 90 era de 400g. Hoje, os modelos mais leves chegam a pesar 150g. Essa mesma tecnologia é usada nos tênis de passeio que você e eu usamos, então, sim, graças a Bill, nossa vida está mais leve.

São dados, não adianta discordar 😂 

Quer ir uma milha a mais?

Como recomendei um livro na semana passada, vamos de podcast nessa, mais particularmente o episódio 496 do The Game, de Alex Hormozi: “Conversations that changed my life” (é um episódio antigo, de fevereiro de 2023, mas o melhor que já ouvi dele até hoje): https://open.spotify.com/episode/53TUBoCb6UpRtO4AUbow2Q?si=dd6ca4502cce4520