Você está (novamente) mais caro

e querendo emagrecer

A estagnação é o primeiro passo para o declínio, portanto, a busca pela melhoria deve ser diária.

Roger Federer

Início de fevereiro eu escrevi uma Newsletter sobre a inflação dos custos de anúncios online entre 2024 e 2025. (você pode ver aqui caso tenha perdido).

Na época, o custo para aparecer para potenciais compradores havia subido 16,9%.A visão geral no mercado era de que isso iria piorar e que março seria um mês muito difícil dado todo o investimento feito no mês do consumidor.

Empresas de todos os tipos iriam disputar a sua já escassa atenção tentando te vender geladeiras, viagens, cursos dos mais diversos tipos e a mais nova IA do momento.

Como recebi muitos comentários bacanas sobre o estudo na época, resolvi atualizá-lo e mostrar o que aconteceu ao longo do mês de março deste ano.

E, novamente, você está mais caro. 

Se você está mais caro, as empresas precisam pagar muito mais para aparecer para você.

Se compararmos com março do ano passado, o custo para te exibir um anúncio aumentou 39,6%.

Se você ou sua empresa anuncia online, adicione a essa conta o aumento dos impostos e a inflação pode chegar a 50%. 

Se antes eu pagava R$100 para te vender um produto de R$200 e conseguia ter algum lucro depois de pagar impostos e outros custos, agora eu tenho prejuízo.

E sabe o que é ainda pior para as empresas?

O seu comportamento de compras mudou.

Como cada vez existem mais empresas te disputando, você tem mais opções de compra (tanto produtos diferentes quanto opções de compra do mesmo produto).

E o que você faz?

Compra mais.

Mas gasta menos a cada compra, afinal, o seu dinheiro tem limite.

Os primeiros relatórios mostram que houve um aumento de 33% no número de pedidos feitos em relação a março passado.

O valor dessas compras, porém, caiu 12,9%.

Voltando à conta anterior, uma empresa pagava R$100 para te vender R$200 no ano passado.

Mês passado, ela pagou R$150 para te vender R$187.

Sobrava R$100, hoje sobra R$37.

E tudo isso aconteceu de um ano para o outro.

Você percebe que todo mundo perde nessa conta?

Você está gastando mais, logo te sobra menos.

As empresas estão recebendo menos, logo sobra menos para elas também.

É claro que eu estou falando de um comportamento médio e, como toda média, ele esconde variações importantes.

Além de você ter mudado o quanto compra e o quanto gasta, você também está mudando de forma relevante o que compra.

Os números oficiais da semana do consumidor mostram que o faturamento deste ano foi de R$8.6 bilhões, contra R$8.3 bilhões do ano passado.

Isso é um crescimento tímido de 3,6%. 

Agora, esse é o número geral, o comportamento médio.

Se formos olhar a indústria farmacêutica, por exemplo, o crescimento de faturamento foi de 61,9%.

Foram R$562 milhões gastos com remédios. Grande parte em canetas emagrecedoras.

Sim, pode ser que não seja você, mas os brasileiros estão parando de comprar geladeiras, celulares e roupas (segmentos que não cresceram ou até caíram nesta semana do consumidor) para comprar Mounjaro e similares.

O impacto disso é que o custo do clique relacionado a remédios subiu 63%.

Ou seja, se as empresas não foram extremamente eficientes elas tiveram menos lucro, mesmo faturando mais de 60% do que no ano anterior.

Embora isso possa parecer técnico (e se você não gosta de números, até chato), você precisa entender o impacto disso.

Como consumidor, esse tipo de mudança, principalmente o do custo de anúncios, pode fazer com que o preço dos produtos suba. E muito.

Pense nos cenários possíveis.

Hoje, as empresas estão competindo pesado pela sua atenção, torrando dinheiro para te vender algo.

Só que a quantidade de ofertas não permite que elas subam muito o preço ou elas perdem rápido para o concorrente do lado.

Só que isso tem limite. De dinheiro e de tempo.

Ou algumas empresas vão ficar pelo caminho, permitindo que as que fiquem subam os preços (você perde), ou as empresas vão entender que para continuar competindo vão precisar subir os preços de forma geral (você também perde).

Pensando agora como empresário ou responsável por áreas relacionadas a marketing e aquisição nas empresas, o seu lucro está caindo e você precisa recuperar competitividade.

E eu não quero aqui ser o chato que traz o problema e não dá nenhum caminho de solução.

Nós atendemos 2 clientes da área de saúde que vendem para o consumidor final

Clientes que, em tese, competem diretamente pela atenção das mesmas pessoas que estão sendo perseguidas pela indústria farmacêutica.

Clientes que, em tese, deveriam sofrer a inflação geral do nicho de saúde de 63%.

Mas, o custo para anunciar deles caiu 14% e 32%, respectivamente.

Mágica?

Claro que não, planejamento.

Enquanto a maioria das empresas deixa para fazer o investimento pesado em março quando o custo está mais caro, nós antecipamos o investimento para janeiro e fevereiro quando o custo estava mais baixo.

Quando chegou março e a inflação dos custos, já tínhamos outras formas de nos comunicar e vender para as pessoas e podíamos investir em modelos de anúncio que eram mais baratos. Afinal, as pessoas já nos conheciam e conheciam os produtos que queríamos vender.

As duas empresas sempre foram muito boas de venda e de produto, o que estava sendo a dificuldade era chegar em novos consumidores.

Se eles não tivessem um bom processo de planejamento e uma antecipação da inflação, custos e comportamento do mercado, eles teriam que ter encontrado esses novos consumidores no período em que todo mundo quer fazer a mesma coisa.

Eles entenderam que, mesmo tendo uma máquina de vendas afiadíssima, eles podiam somar novas estratégias que melhorassem o resultado - e ainda os protegesse dos riscos do mercado.

Você pode fazer a mesma coisa.

Temos Eleições, Copa do Mundo, Black Friday…

Antecipe seu planejamento. Antecipe suas estratégias.

Você vai pagar mais barato e ter mais resultado.

Começamos com Federer e fechamos com Federer: “Não importa o quão bom você é, sempre existe algo em que você pode melhorar”.

Seu momento de refletir

- Como consumidor, seu comportamento na semana do consumidor foi como eu citei, ou você foi diferente da média?

- Como empresário, você sofreu com a inflação ou havia se planejado?

Espero que tenha curtido o percurso de hoje.

Grande abraço e até a próxima milha,

César Mazzillo

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Dados no Cotidiano

Já que falamos da inflação dos anúncios, vamos trazer alguns dados interessantes aqui dos segmentos de mercado que nós acompanhamos:

Algumas visões interessantes:

- O segmento de negócios e empreendedorismo explodiu o custo para aparecer para você, mais do que dobrando de um ano para o outro. Esse comportamento já vem acontecendo desde agosto passado e apenas se acentuou agora em março.

- O segmento de educação e carreira teve um aumento relevante em março, mudando o comportamento estável que estava apresentando nos últimos meses.

- O segmento de saúde, mesmo com todo o investimento concentrado das indústrias farmacêuticas, apresentou deflação em março deste ano em comparação ao ano anterior, o que também pode indicar que as pessoas estão tão interessadas no tema, que existe um maior volume disponível de anúncios para exibir.

Vá uma milha a mais

Ouvi um podcast fantástico essa semana, inclusive foi dele que tirei as frases de abertura e fechamento do Roger Federer. 

Se você quiser conhecer um pouco mais da história dele, da sua preparação para ser um dos melhores tenistas de todos os tempos, recomendo muito que você escute aqui.